Der deutsch-britische Soziologe Lord Ralf Dahrendorf ist tot. Er starb im Alter von 80 Jahren in Köln

Ralf Dahrendorf wurde 1929 in Hamburg als Sohn des SPD-Reichtags- abgeordenten Gustav Dahrendorf geboren. Nach dem Studium der Philosophie und Klassischen Philologie in Hamburg und der Soziologie an der London School of Economics war er Professor für Soziologie in Hamburg, Tübingen und Konstanz.
Als "Vordenker des Liberalismus" trug er ab den 60er Jahren zur Neuausrichtung der FDP bei. Er war u.a. Bundestagsabgeordneter und vor allem in Bildungsfragen für die EG-Kommission tätig. 1965 erschien sein Buch "Bildung ist Bürgerrecht".
In die Wissenschaft kehrte Dahrendorf 1974 zurück. Er leitete die London School of Economics, war Professor in New York und Rektor des St. Antony’s College in Oxford. 1982 wurde er von Königin Elizabeth in den Adelsstand erhoben.
Die London School of Economics betonte am Donnerstag, Dahrendorfs Beitrag als Direktor und Historiker sei für die Schule "einzigartig" gewesen. FDP-Chef Guido Westerwelle erklärte, mit Dahrendorf "haben die deutschen und die europäischen Liberalen einen der bedeutendsten Soziologen unserer Zeit verloren". SPD-Chef Franz Müntefering würdigte ihn als "unermüdlichen Modernisierer". Deutschland verliere "einen seiner großen Intellektuellen und politischen Vordenker", so Bundesbildungs- ministerin Annette Schavan (CDU).

Zum Tode von Ralf Dahrendorf: Über die Grenze

Foi um dos mais eminentes sociólogos do século XX. Mas foi também um polemista da actualidade. Nenhum dos grandes acontecimentos que marcaram os últimos 60 anos lhe foi estranho. Era cidadão britânico desde 1988 e membro da Câmara dos Lordes. Morreu ontem, em Colónia, na Alemanha, no seu país natal.

Era um liberal, embora não desse grande importância a rótulos. Foi um dos primeiros a avisar para os riscos da "economia de casino" que acaba de explodir diante dos nossos olhos: "O dinheiro é gerado pelo dinheiro e não pela criação de riqueza duradoira", disse em 1989.

Foi um grande académico que também praticou a política. Filiou-se no Partido Social-Democrata (SPD) alemão aos 18 anos. Aderiu depois ao Partido Liberal (FDP). Foi deputado e ministro na Alemanha. Foi na Câmara dos Lordes que liderou a célebre "Comissão Dahrendorf" sobre "criação de riqueza e coesão social numa sociedade livre", que viria a ser uma das fontes de inspiração do New Labour. Admirava o primeiro-ministro britânico Tony Blair pelas suas profundas convicções "mais morais do que políticas" mas foi o primeiro a criticá-lo quando, depois do 11 de Setembro, quis limitar as liberdades em nome da segurança.

O seu amor pela liberdade talvez o tenha aprendido nos anos da sua juventude, quando teve de conviver com dois totalitarismos. Disse muitas vezes que os dois anos mais importantes da sua vida tinham sido 1945 e 1989.

A sua história começa em Hamburgo, onde nasceu a 1 de Maio de 1929, filho de um dirigente social-democrata da República de Weimar, Gustav Dahrendorf, preso no ano em que Hitler chegou ao poder e, de novo, em 1944. Com apenas 15 anos, Ralf seguia as pisadas do pai: preso no mesmo ano pela Gestapo, enviado para um campo de concentração, libertado pelo exército soviético.

Depois da libertação, Gustav ficou do lado errado da Alemanha. De novo preso por se recusar a participar nas negociações impostas pelos comunistas aos sociais-democratas para fundir os dois partidos. "Esta dupla experiência do totalitarismo - nazi e comunista - e da resistência contra eles fundaram o compromisso de Ralf Dahrendorf com a causa da liberdade e preveniram-no contra as seduções ideológicas", escreve João Carlos Espada.

"Europeística eurocéptico"

Depois da guerra, estudou filosofia na Universidade de Hamburgo onde se doutorou. Em 1952, partiu para Inglaterra para um segundo doutoramento na London School of Economics, desta vez em sociologia.

Regressou à Alemanha e foi por causa de Willy Brandt que decidiu filiar-se no Partido Liberal. Em 1959, o líder social-democrata convidou-o para proferir uma palestra no célebre congresso de Bad Godesberg de refundação ideológica do SPD. Apresentou-o como um liberal para mostrar a nova atitude do seu partido. Ele descobriu que talvez não fosse mesmo um social-democrata.

Foi deputado pelo FDP, cuja renovação liderou, e chegou a integrar o Governo em 1969. Um ano depois, vai para Bruxelas como comissário alemão para sair, desiludido, quatro anos depois. Manteve-se um europeísta convicto mas crítico - "europeísta eurocéptico". Defendeu sempre que os direitos humanos e as liberdades deviam estar no coração da integração europeia.

Regressa a Inglaterra em 1974 para dirigir a London School e, depois, o St. Antony's College de Oxford. Foi lá, no passado dia 1 de Maio, no dia em fez 80 anos, que um grupo de académicos e amigos se reuniu uma última vez com ele para uma homenagem e uma última discussão. Entre os presentes, o historiador britânico Timothy Garton Ash (o organizador), o filósofo alemão Juergen Habermas e o político italiano Guiliano Amato.

Numa das suas obras de referência, Class and Class Conflit in Industrial Societies (1959), desenvolve uma das suas ideias fundamentais sobre as sociedades democráticas. "O monismo totalitário baseia-se na ideia de que o conflito pode e deve ser eliminado. (...) Essa ideia é tão perigosa quando errónea. O pluralismo das sociedades livres baseia-se no reconhecimento e na aceitação do conflito".

Numa conversa com Harry Kreisler, da Universidade de Berkeley, em 1988, sintetiza a essência do seu pensamento filosófico: "Sou kantiano, ou se preferem popperiano [Karl Popper, de quem foi discípulo] no sentido em que, para mim, um dos aspectos fundamentais da vida humana é que o homem não pode responder a todas as perguntas. Vivemos numa condição fundamental de incerteza e isso deriva do facto de nenhum homem ser Deus."

Veio muitas vezes a Portugal. Convidado em 1997 por Mário Soares para proferir uma das conferências sobre A Invenção Democrática, avisou para a absoluta necessidade de criar "um desenvolvimento socialmente sustentável."

Nunca deu grande importância a rótulos. No prefácio à obra Ensaios sobre a Liberdade (Gradiva) escreve: "Escolhi a palavra liberalismo para descrever uma possível agenda para o futuro, mas não dou muito valor a terminologias. Ela tem a ver com o reforço das oportunidades de vida dos indivíduos."

O que há de fundamental no seu pensamento, disse ontem ao PÚBLICO João Carlos Espada, cuja tese de doutoramento orientou em Oxford e que esteve presente na última homenagem, "é talvez a liberdade e a causa da liberdade, que também não corresponde a uma corrente, uma voz, um partido particulares, mas antes a uma conversação constante entre várias vozes, em que o essencial é manter o equilíbrio."

Morreu ontem um grande liberal. Sem necessidade de qualificativos.

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