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Fotografia do Porto

Teresa Hoffbauer O Porto é uma menina a falar-me de outra idade. Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos. Entre mim e o Porto, existem milímetros que são muito maiores do que quilómetros, mesmo quando os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto, deitados na cama, a respirar, transpirados e nus? Eis uma pergunta que nunca terá resposta.

Fotografia de Coimbra

Teresa Hoffbauer Coimbra é a cidade e a esperança dos domingos à tarde. Um calendário abandonado no bolso do casaco é Coimbra. Coimbra são as fotografias reveladas de um rolo antigo, esquecido numa gaveta. E, no entanto, enquanto falamos, Coimbra existe e corre no recreio. Existe ar que é respirado apenas por Coimbra. Existe um coração no seu peito a bater, e esse é um milagre de deus que transcende deus.

Fotografia de São Francisco

Imagem da wikipédia São Francisco és tu e são as tardes que passávamos no sofá, sentados ou deitados de todas as formas, em todas as direcções. Não guardo ressentimentos de São Francisco e chegará um tempo em que, de novo, seremos capazes de passar um fim-de-semana entre chapéus de sol e sol. A Califórnia não é eterna, mas há um certo tipo de silêncio que se procura sempre e que se encontra apenas muito raramente. Esse é o teu brilho, São Francisco. Vais ver, teremos camisas de flores coloridas e saberemos rir-nos de tudo. E, contra todas as expectativas, quando um de nós estiver a morrer, o outro estará lá.

Leitura de Verão

É precisamente no Verão, a altura do ano, em que leio menos. Na primeira semana em Portugal li, na praia, "Travessia de Verão" de Truman Capote. Li, também, um livro de poemas "Gaveta de Papéis" de José Luís Peixoto, que ganhou o Prémio Daniel Faria 2008. José Luís Peixoto nasceu a 4 de Setembro de 1974 em Galveias, Ponte de Sor. Em 2001 recebeu o Prémio José Saramago com o romance "Nenhum Olhar". Além dos romances "Uma Casa na Escuridão" e "Cemitério de Pianos" publicou as narrativas "Morreste-me" e "Antidoto", assim como os volumes de poemas "A Criança em Ruínas" e "A Casa, a Escuridão". Também tem escrito para teatro. Não conhecia este autor, apesar dos seus romances se encontrarem traduzidos em 12 idiomas. Quando me cansei de mentir a mim próprio, comecei a escrever um livro de poesia. Foi há duas horas que decidi, mas foi há muito mais tempo que comecei a cansar-me. O cansaço é uma pele gradu...